domingo, 7 de julho de 2013

Fluxos migratórios explicam crescimento da população em Atibaia


Atibaia cresceu bastante nos últimos 15 anos. A população ganhou milhares de novos habitantes com a chegada de paulistanos e de moradores que vieram de outras cidades de São Paulo e outros Estados. Os fluxos migratórios explicam essa curva populacional, que afetou diversas regiões do país e tirou população até de grandes centros.
Dessa mudança territorial, espera-se um futuro pautado na diminuição das desigualdades socioeconômicas, com manutenção das diferenças culturais/ambientais, que marcam, dentre outras características, as mudanças ocorridas no perfil demográfico e na geografia da população brasileira na década inicial do século XXI.
Na semana passada, o IBGE divulgou seu Atlas do Censo Demográfico 2010, que explica o comportamento dessas curvas. São informações obtidas a partir da visão geográfica da população brasileira recenseada pelo instituto, com novos ângulos de análise sobre a distribuição espacial da sociedade no território nacional. 
A publicação impressa traz 268 mapas, distribuídos através de um temário que se propõe a abordar, de forma abrangente e interligada, as várias dimensões que compõem a dinâmica e o perfil demográfico da população brasileira, dando ênfase às diferenças regionais e locais aí contidas. Os fluxos da população no território e a urbanização, além daqueles relativos às condições de habitação, ao perfil social e econômico da população e à diversidade cultural, revelam questões fundamentais da população e do território brasileiros.
Os mapas da Divisão político-administrativa do país – primeiro tema em escala nacional – fundamentam, em grande parte, a distribuição e a mobilidade da população no território brasileiro e ressaltam a evolução da malha municipal: ao longo do século XX, o número de municípios cresceu de 1.121, em 1900, para 1.890, cinquenta anos depois. Na última década, esse número passou de 5.507, em 2000, para 5.565 municípios em 2010. Esse movimento refletiu a interiorização de parcela da população brasileira.
Os censos brasileiros mostram que a população experimentou sucessivos aumentos em seu contingente, no período 1991-2010, tendo crescido 1,29 vezes, embora a velocidade do crescimento venha diminuindo progressivamente. Entre 1991/2010, a taxa média geométrica de crescimento anual passou de 1,64% entre 1991 e 2000, para 1,17% entre os censos de 2000 e 2010, refletindo a continuidade do processo de declínio da fecundidade no país.
O mapeamento dos fluxos migratórios, aspecto que se destaca neste texto, permite identificar os centros urbanos que atuam como focos de atração e evasão populacional e ressalta aspectos espaciais de circulação da população, tais como a concentração e a seletividade nas escalas urbanas. 
Na década de 70, quando a atividade industrial e a urbanização crescente determinavam o direcionamento dos fluxos migratórios, o Sudeste e, particularmente, o interior paulista registravam os maiores volumes de movimentos populacionais do país, o que levou ao surgimento e fortalecimento de centros regionais em um novo contexto de redistribuição populacional. 
Posteriormente, a desconcentração industrial, que ocorreu principalmente a partir da metrópole paulista e se estendeu a outros núcleos urbanos, alterou a participação do setor no conjunto da economia, principalmente na produção de bens tradicionais e duráveis, com a intensificação de atividades que incorporam tecnologia avançada, transformando, ao longo do tempo, o perfil não só das maiores aglomerações do país como, particularmente, dos centros sub-regionais nos eixos mais ativos da economia.
Os índices mais altos de eficácia migratória - relação entre o saldo migratório e o volume total de migrantes (imigrantes + emigrantes) – são vistos nas capitais regionais, que demonstram maior poder de atração quando comparadas ao nível metropolitano. 
A maioria das capitais regionais parece atrair migrantes oriundos de centros de diversas hierarquias urbanas, principalmente em áreas como o interior de São Paulo, para onde se deslocou parte da produção, lembrando que a geografia dos fluxos está estreitamente associada às mudanças observadas no mercado de trabalho. 
Observa-se ainda que o migrante com maior escolaridade amplia suas possibilidades de deslocamento e opções profissionais, num contexto de alterações nas relações de trabalho. O que predomina hoje são, assim, fluxos mais diversificados e não aqueles onde predominam excedentes populacionais com baixa qualificação.
O Atlas do Censo Demográfico 2010 pode ser acessado pelo link http://censo2010.ibge.gov.br/apps/atlas/

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